Inteligência artificial redefine os limites do compliance corporativo
Novas soluções baseadas em agentes de automação prometem transformar auditorias e monitoramento regulatório em escala global.
Reprodução A aplicação da inteligência artificial em processos de compliance corporativo deixou de ser uma tendência experimental e passou a ocupar posição estratégica nas agendas de grandes empresas e instituições financeiras. O avanço da regulação digital, aliado ao aumento da complexidade operacional e à pressão por transparência, impulsionou a busca por soluções capazes de monitoramento contínuo e reduzir falhas humanas em auditorias tradicionais.
Relatórios publicados ao longo de 2023 por consultorias globais indicam crescimento acelerado da automação baseada em IA em GRC, com adoção crescente em multinacionais. O foco principal estava na detecção precoce de inconsistências, no cruzamento massivo de dados e na geração automatizada de evidências para auditorias internas e externas.
Os chamados agentes de automação, sistemas de IA capazes de atuar de forma contínua e orientada a regras, passaram a ganhar espaço. Diferentemente das ferramentas tradicionais de automação, esses agentes conseguem analisar grandes volumes de informações, identificar padrões de risco e acionar alertas sem depender de intervenções manuais constantes. O resultado é uma mudança estrutural no modelo de auditoria, que deixa de ser pontual e passa a ser contínua.
Para Klyff Harlley Ferreira Toledo, executivo e especialista em tecnologia aplicada a compliance, esse movimento representa uma evolução natural da governança corporativa. “Quando falamos de auditoria contínua, estamos falando de sistemas que observam o ambiente o tempo todo. A inteligência artificial permite antecipar riscos, e não apenas reagir a problemas depois que eles já aconteceram”, explica.
Segundo Klyff, até 2024 muitas empresas ainda enfrentavam dificuldades para lidar com ambientes regulatórios fragmentados, especialmente aquelas que operam em múltiplos países. “A IA começa a se tornar essencial justamente porque consegue lidar com regras complexas, grandes volumes de dados e mudanças frequentes na legislação, algo que processos manuais não conseguem acompanhar com eficiência”, afirma.
A experiência prática acumulada por Klyff em projetos de segurança da informação, gestão de identidades, plataformas de governança e compliance digital mostra que a tecnologia, por si só, não é suficiente. “Os agentes de automação orientados a regras e fluxos precisam estar integrados a processos claros, com trilhas de auditoria, rastreabilidade e governança bem definidas. Caso contrário, a empresa apenas automatiza o erro”, ressalta.
Aqui o compliance já não é visto apenas como custo ou obrigação legal, mas como fator de confiança institucional e vantagem competitiva. Empresas que conseguem demonstrar controle, transparência e previsibilidade tendem a atrair mais investimentos e estabelecer relações mais sólidas com parceiros e reguladores.
Apesar do avanço, o uso de IA em compliance ainda exige cautela. Questões como explicabilidade dos modelos, governança de decisões automatizadas e integração com áreas jurídicas e de risco permanecem como desafios centrais. Para Klyff, esse equilíbrio será determinante nos próximos anos. “A inteligência artificial redefine os limites do compliance, mas só gera valor real quando está a serviço da confiança e da governança, não apenas da eficiência”, conclui.




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