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Santa Catarina,07/05/2026

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Empresas de tecnologia enfrentam desafio estrutural na gestão de pessoas em fase de crescimento acelerado

Startups orientadas a dados ampliam equipes rapidamente, mas falham na consolidação de cultura, governança interna e avaliação de desempenho

Rede Alcateia
Empresas de tecnologia enfrentam desafio estrutural na gestão de pessoas em fase de crescimento acelerado Reprodução

O avanço das empresas de tecnologia em 2025 trouxe um novo tipo de pressão para o ambiente corporativo: crescer rápido sem perder consistência interna. Em um cenário marcado pela aceleração dos investimentos em inteligência artificial, digitalização de processos e ampliação de times técnicos, lideranças passaram a enfrentar dificuldades para consolidar cultura, alinhar expectativas e estruturar práticas de gestão de pessoas à altura do ritmo de expansão. Relatórios publicados ao longo de 2025 apontaram que a adoção de tecnologia avançava mais rápido do que a capacidade de liderança de reorganizar processos, governança e rotinas de trabalho, tornando o capital humano um dos principais pontos de atenção das empresas em crescimento. 

A discussão ganhou força sobretudo entre negócios orientados a dados, analytics e inteligência artificial, que passaram a disputar profissionais altamente especializados ao mesmo tempo em que tentavam amadurecer sua estrutura interna. Estudo da McKinsey divulgado em janeiro de 2025 mostrou que, embora quase todas as empresas estejam investindo em inteligência artificial e 92% planejem ampliar esses investimentos nos três anos seguintes, apenas 1% se considerava madura nesse processo, indicando um descompasso entre ambição tecnológica e capacidade organizacional para sustentar a mudança. A mesma pesquisa destacou que o maior obstáculo para a escala não estava nos colaboradores, mas na dificuldade das lideranças em conduzir a transformação com a velocidade e a clareza necessárias. 

Na avaliação de especialistas, esse desalinhamento se torna ainda mais sensível quando o crescimento do negócio exige contratações rápidas, integração eficiente e critérios claros de desempenho. Para Amanda Fidélis Soares, profissional de Recursos Humanos com trajetória em setores de alta exigência e experiência na estruturação da área de RH em empresa orientada a dados e inteligência artificial voltada ao mercado financeiro, o erro mais comum das companhias em expansão é acreditar que cultura organizacional se sustenta sozinha apenas porque o negócio está crescendo.

“Quando a empresa cresce muito rápido, a tendência é priorizar entrega, contratação e operação. Só que, sem processos claros de integração, acompanhamento, comunicação interna e avaliação de desempenho, o crescimento pode gerar ruído, perda de identidade e desgaste das lideranças”, afirma Amanda.

Segundo ela, o problema não está apenas na velocidade da expansão, mas na ausência de mecanismos consistentes para transformar pessoas em parte real da estratégia. “Muitas empresas conseguem atrair talentos, mas ainda têm dificuldade em criar uma jornada estruturada para que esses profissionais entendam a cultura, saibam o que se espera deles e tenham uma leitura objetiva sobre desenvolvimento, performance e futuro dentro da organização”, explica.

Esse debate se conecta ao movimento mais amplo observado no mercado de trabalho em 2025. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, apontou que as transformações tecnológicas seguem alterando o perfil das funções, exigindo requalificação, adaptabilidade e novas capacidades de liderança para lidar com mudanças contínuas. Na prática, isso significa que contratar bem já não basta: será cada vez mais necessário organizar ambientes resilientes, capazes de sustentar aprendizado, clareza de papéis e coerência cultural em contextos de mudança constante. 

Amanda observa que esse desafio se intensifica em empresas de base técnica, especialmente aquelas que operam com times enxutos, especialistas muito demandados e forte pressão por resultado. “Em ambientes orientados a dados e tecnologia, a empresa normalmente nasce com foco muito claro em produto, solução e crescimento. O amadurecimento da gestão de pessoas vem depois. Quando isso demora, começam a surgir gargalos de comunicação, conflitos de expectativa, dificuldade de retenção e sobrecarga de gestores”, diz.

Ela destaca ainda que processos simples, quando bem implementados, costumam gerar ganhos relevantes. “Onboarding estruturado, acompanhamento do período de experiência, critérios claros de feedback, canais internos de comunicação e apoio à liderança já mudam muito a consistência da operação. Em empresas que crescem rápido, isso não é detalhe. É infraestrutura organizacional.”

Com o setor de tecnologia cada vez mais pressionado a combinar inovação, produtividade e retenção de talentos, especialistas avaliam que a próxima vantagem competitiva não virá apenas da capacidade de desenvolver soluções mais sofisticadas, mas também da habilidade de construir ambientes internos mais sólidos. 




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