Governança corporativa ganha força como pilar de sobrevivência para pequenas e médias empresas no Brasil
Profissionalização da gestão, controle financeiro e estruturação administrativa entram no centro das estratégias de crescimento sustentável.
Reprodução A pressão econômica enfrentada por pequenas e médias empresas brasileiras, reacendeu debates sobre a importância da governança corporativa para a sobrevivência e o crescimento sustentável do setor. Com juros elevados, aumento dos custos operacionais e um ambiente de negócios mais competitivo, especialistas têm afirmado que a profissionalização da gestão deixou de ser um diferencial e se tornou um requisito mínimo para evitar que empreendimentos promissores percam competitividade.
Estudos divulgados pela Endeavor e pelo Sebrae no primeiro semestre de 2025 já apontavam uma correlação direta entre maturidade administrativa e resiliência financeira em PMEs. Empresas que adotam práticas de controle, planejamento e integração entre áreas demonstraram maior estabilidade frente às oscilações econômicas, enquanto negócios sem estrutura processual enfrentaram dificuldades para manter operações básicas, como fluxo de caixa e cumprimento contratual.
Para aprofundar o debate, ouvimos a executiva brasileira Sandrelli Musso Roncetti Bastos, especialista em governança, gestão administrativa e expansão empresarial.

Sandrelli Musso Roncetti Bastos.
Segundo ela, a falta de organização interna é um dos maiores desafios enfrentados pelas PMEs brasileiras: “Muitas empresas acabam crescendo sem estrutura, e isso cria um ambiente de decisões improvisadas e processos informais. Quando o cenário econômico aperta, esse modelo não sustenta a operação. Governança não é burocracia: é clareza, responsabilidade e capacidade de enxergar o negócio como um sistema integrado.”
Em sua atuação executiva, Sandrelli acompanhou de perto a evolução de modelos administrativos que permitiram a consolidação de grupos empresariais regionais. Ela destaca que práticas simples, como padronização de rotinas, organização de contratos, definição de responsabilidades e implantação de indicadores, geram impactos profundos na estabilidade financeira. “Quando a empresa sabe exatamente como funciona, ela ganha previsibilidade. E previsibilidade é o que dá fôlego em momentos de instabilidade,” afirma.
Analistas de mercado também observam que o fortalecimento das práticas de governança contribui para uma maior atratividade de investimentos e parcerias estratégicas, algo particularmente relevante para empresas que buscam escalar operações ou acessar novos mercados. Nesse ponto, a visão de Sandrelli reforça a importância de um posicionamento institucional consistente: “Empresas com governança inspiram confiança. Isso abre portas, facilita negociações e cria um ambiente onde as relações são mais justas e sustentáveis.”
Com um cenário econômico desafiador e um mercado cada vez mais exigente, as pequenas e médias empresas brasileiras parecem estar no centro de uma transformação estrutural. A adoção de modelos de governança corporativa pode determinar não apenas quem sobreviverá ao momento atual, mas quem estará preparado para crescer com consistência nos próximos anos.




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