Reestruturações Financeiras Impulsionam Crescimento de Empresas Brasileiras no Exterior
Grupos nacionais adotam estratégias sofisticadas de captação e governança para competir em mercados globais.
Reprodução A internacionalização de empresas brasileiras vive um momento de transformação. Não basta exportar ou abrir filiais no exterior, pois as companhias que mais têm sucesso adotam estruturas financeiras robustas, mecanismos de governança empresarial aprimorados e projetos de project finance para viabilizar investimentos maiores e reduzir riscos. Essa tendência ganha força especialmente em setores como higiene pessoal, óleo e gás e mercado imobiliário, onde a necessidade de elevados aportes de capital e de parcerias estratégicas exige soluções financeiras sofisticadas.
Dados recentes da pesquisa "Trajetórias FDC de Internacionalização das Empresas Brasileiras", realizada pela Fundação Dom Cabral com apoio da ApexBrasil, mostram que 45,1% das empresas brasileiras internacionais aumentaram os investimentos no exterior, 38,2% mantiveram no mesmo patamar e 16,8% reduziram. O estudo também aponta que 64,4% das empresas planejam, nos próximos dois anos, a expansão nos mercados em que já atuam, confirmando que a expansão global deixou de ser uma aposta isolada para se tornar uma estratégia estruturada de crescimento. Grupos como a mineradora Vale seguem liderando movimentos relevantes no exterior, com projetos de grande porte que exigem estruturação financeira complexa e capacidade de articulação com investidores internacionais. Agência BrasilAgência Brasil
Economistas apontam que esses movimentos refletem uma combinação de pressões externas, como variação cambial, custo do capital internacional, juros elevados, políticas protecionistas em alguns mercados e os efeitos remanescentes de choques globais como a pandemia e a guerra na Ucrânia, com a necessidade de gerar escala global e competitividade para marcas brasileiras. A adoção de financiamentos estruturados (incluindo project finance) e reestruturações de dívida tornou-se peça-chave para viabilizar expansões geográficas, sobretudo em um ambiente em que o crescimento doméstico tende a avançar em ritmo modesto e as médias e grandes empresas precisam buscar eficiência e novos mercados para sustentar resultados.
Matheus Cunha, executivo com experiência em liderar operações de reestruturação financeira e project finance nos setores de higiene pessoal, óleo e gás e mercado imobiliário, vê esse momento como um divisor de águas:
"Empresas brasileiras que querem jogar no cenário internacional precisam construir sua base financeira com disciplina: captação adequada, modelos de governança que atraiam investidores externos, e estruturas de financiamento que permitam alavancar projetos com risco de fronteira", afirmou. "Operações de project finance, por exemplo, ajudam a segregar riscos, definindo métricas claras de retorno que funcionam mesmo em cenários adversos."
Matheus destaca que, no setor imobiliário, incorporações ou projetos greenfield exigem planejamento financeiro de longo prazo, com fontes múltiplas de capital, envolvendo dívida local e internacional e, em muitos casos, apoio de instituições financeiras com expertise em mercados externos. No óleo e gás, os desafios incluem variáveis regulatórias, segurança jurídica e compliance, o que torna a governança corporativa não só uma vantagem, mas uma exigência. Soma-se a isso a crescente demanda dos investidores estrangeiros por critérios ESG (ambiental, social e de governança), que passaram a influenciar diretamente o custo e a disponibilidade de capital para projetos brasileiros no exterior.




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