Novas técnicas de controle policial ganham espaço em debates sobre segurança pública
Policial militar e faixa preta de Jiu-Jitsu defende métodos baseados em domínio corporal e gestão de confronto como alternativa para reduzir situações de força letal.
Reprodução O debate sobre o uso progressivo da força nas abordagens policiais ganhou força no Brasil ao longo de 2018, impulsionado por discussões institucionais e pela crescente demanda por modelos de atuação mais seguros, tanto para agentes quanto para civis. Em meio a esse cenário, novas técnicas de controle físico passaram a ser analisadas como alternativas viáveis para reduzir a escalada de confrontos e evitar desfechos letais.
Especialistas apontam que a profissionalização do treinamento policial, com foco em domínio técnico e controle emocional, tem se mostrado um caminho consistente para melhorar os resultados operacionais. A ideia central é substituir respostas baseadas exclusivamente na força por estratégias que priorizem o controle da situação com o menor nível de agressividade possível.
Nesse contexto, o policial militar João Ricardo de Castro Melo dos Santos surge como uma das vozes técnicas consultadas sobre o tema. Com atuação na Polícia Militar de Pernambuco desde 2010 , ele também iniciou em 2018 sua trajetória como instrutor de jiu-jitsu, integrando conhecimentos de defesa pessoal ao ambiente policial.
Segundo ele, o domínio corporal é um dos principais diferenciais em situações críticas. “Quando o policial desenvolve controle técnico do próprio corpo e entende como neutralizar um indivíduo sem depender exclusivamente de impacto ou armamento, ele amplia significativamente suas possibilidades de atuação”, explica.
A aplicação de técnicas oriundas do jiu-jitsu tem chamado atenção justamente por sua eficiência no controle de suspeitos em curta distância, especialmente em ocorrências onde há resistência física, mas não necessariamente ameaça letal imediata. Para João Ricardo, o ponto-chave está na proporcionalidade da resposta. “Nem toda ocorrência exige o uso máximo da força. O preparo técnico permite escolher o nível adequado de intervenção”, afirma.
Além do aspecto técnico, ele destaca a importância do treinamento contínuo e da repetição de cenários. A capacidade de reagir sob pressão, segundo ele, não é construída apenas com teoria, mas com prática estruturada. “O policial precisa vivenciar situações simuladas que reproduzam o estresse real. É isso que garante segurança na tomada de decisão”, pontua.
A discussão sobre métodos não letais também envolve fatores institucionais, como padronização de protocolos e atualização das grades de formação. Embora o tema ainda esteja em desenvolvimento em diversas corporações, especialistas concordam que iniciativas que integrem técnicas de controle físico e gestão de confronto tendem a ganhar cada vez mais espaço.
“O objetivo não é eliminar ferramentas, mas ampliar o repertório do policial. Quanto mais preparado ele estiver, maiores são as chances de preservar vidas, inclusive a dele”, conclui.




COMENTÁRIOS