Economia criativa em alta: como a tatuagem impulsiona turismo e renda em 2025
De convenções a estúdios escola, especialistas explicam por que o setor virou motor de pequenos negócios e qualificação profissional.
Reprodução Nos últimos anos, o mercado da tatuagem tem se transformado em um dos grandes vetores da economia criativa, não mais visto como um nicho marginal, mas como fonte real de renda, emprego e até turismo cultural. Com o crescimento da aceitação social, a demanda por tatuagens cresceu de forma expressiva, abrindo espaço para estúdios, cursos, convenções e profissionais especializados.
Relatórios internacionais apontam que a indústria global de tatuagem alcançou um valor de cerca de US$ 2,31 bilhões em 2025 e continua projetando expansão nos próximos anos. Esse movimento é acompanhado no Brasil, onde a tatuagem deixou de ser tabu para virar expressão legítima de identidade, arte e estilo de vida.
Com esse cenário favorável, cidades de várias regiões do país têm aproveitado a onda para consolidar o turismo da tatuagem: convenções, estúdios-escola e eventos especializados atraem não apenas clientes, mas um público interessado em arte corporal, história e cultura urbana. Esse tipo de atração movimenta economia local, consumo, hospedagem e gera oportunidades de trabalho para desenhistas, pigmentistas, estúdios de biossegurança, fornecedores de insumos, etc.
Para entender melhor esse fenômeno, conversamos com a artista e tatuadora referência nacional, Charbelle Lopes Mousinho, que acompanhou de perto a transição da tatuagem como subcultura para profissão valorizada, inclusive no papel de mentora e educadora.
“A tatuagem deixou de ser marginalizada e passou a ser aceita por todos os perfis. Isso abre espaço para que o segmento profissionalize, com cursos, estúdios-escola, especializações técnicas e atendimento ético. Não é só arte: é renda, qualificação e oportunidade real” — afirma Charbelle.
Segundo ela, esse movimento de profissionalização permite a criação de microempresas com baixo custo de estrutura, associadas a talento e técnica. “Para quem tem aptidão artística, a tatuagem oferece um caminho de independência financeira e expressão criativa”, completa.
Charbelle destaca ainda o impacto das grandes convenções: para artistas, são chances de visibilidade e reconhecimento técnico; para cidades, eventos que geram fluxo de visitantes, consumo e turismo cultural. Esse mix, entre turismo, arte e comércio, segundo ela, transforma a tatuagem em um motor de desenvolvimento local.
Com a expansão desse mercado nos últimos anos, especialmente a partir da mudança cultural pós-pandemia, o setor da tatuagem deve continuar se consolidando como uma importante frente da economia criativa. Isso representa não apenas oportunidade de ocupação para jovens talentos, mas também um novo olhar sobre o corpo como suporte de arte, identidade e transformação social.




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